sábado, 29 de abril de 2017

Crônica

A Viagem, na casa e meu amigo/irmão Léo...

As vezes eu acredito que tenho a incrível habilidade de me transformar em um intestino.
Sim, em um intestino; em um intestino enoooorme, e fazer os senhores sabem muito bem o quê!

Cont’um causo ilustrativo...
Uma vez eu e um amigo fomos à casa de outro amigo, que havia saído do hospital.
Fazia uns meses que ele estivera fora, interndo, e depois que voltou, concluiu sua recuperação em casa. Nessa fase, de recente alta, recebeu algumas visitas, essa foi uma das primeiras...
Lembro que nesse dia chegamos pelas 14h, ia começar Vale a Pena Ver de Novo.
Sentamos.
A mãe dele nos recebeu, como sempre, muito bem.
Passado momento de chegada de visita, de sabor de novidade na casa, as pessoas foram silenciando-se e, depois de certo tempo, todos foram concentrando-se na TV, como que automaticamente.
Fim de vídeo show.

Foi quando aconteceu...
A novela? “A Viajem”. O episódio? Aquele que Alexandre, personagem vivido por Guilherme Fontes, perturbava o Dr Otávio Jordão (Antônio Fagundes).
Perturba-o até fazer com que o seu desagrado; desafeto, bata o carro, vindo a falecer, a beira da estrada, vítima de um catastrófico acidente de automóvel...
Eu esperava por esse capitulo há dias. Quando vi a cena não me contive pelo contrário explodi em fogos de artifício:

VEJA! É HOJE, É HOJE É HOJE É HOJE!
O ACIDENTE!
É MASSA!
O CARRO CAPOTA UM MON-DE VEZES!
EU ACHEI MASSA DA VEZ QUE VI E QUERIA RELEMBRAR DISSO!
DE HOJE QUE TÔ CAÇANDO ESSE EPISÓDIO, SÓ PRA VER ISSO! OLHA LÁ, ALÁ, ALÁ! MASSA!
AINDA BEM QUE TAMOS ASSISTINDO ISSO AQUI, TODO MUNDO JUNTO!

Meu amigo acompanhante de visita quase teve um siricutico, como diz minha mãe...
Fazia movimentos frenéticos, com as mãos. De cima para baixo, maneava-as, pedindo-me silêncio...
Depois de certo tempo – e de ver que de nada adiantaria seus pedidos – deu de ombros.
Foi quando olhei em torno da sala, e percebi a idiotice que tinha feito: o meu amigo. Ele tinha sofrido acidente. De carro. Quase morria. Ficou internado muito tempo. No contexto daquela família não tinha a menor graça aquele episódio, aquela cena, e, principalmente, aquela exaltação idiota descabida.
A mãe dele ficou sem palavras, cabisbaixa. É né... acidente né... que coisa né... que triste... acidente de carro...
Calei-me...

“Satisfeito agora?”
Pergunta feita pelo amigo que havia tentado me silenciar a todo custo, em vão, instantes antes.

Essa foi uma das piores gafes que já cometi.
Tenho certeza de que só não fui posto pa-fora da casa dele por que lá eu era o amigo mais freqüente.
Aliás, estive com meu gran-hermano desde o hospital.
Ela sabe que os amigos de verdade erram, mas erram em presença.

Atenciosamente,

Emerson!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Odeio Protagonistas: Eric

  
Ele é marrento; desdenhoso; insuportável; turrão, preconceituoso; desrespeitoso; chato; desonesto; egoísta; egocêntrico; arrogante; pedante, orgulhoso, grosseiro, interesseiro, mal-agradecido e – como não poderia faltar a uma pessoa portadora de todos os ilustres adjetivos anteriormente elencados – naturalmente politicamente incorreto.
Mas, ainda assim, aqui, ele é protagonista.

Sim, senhoras e senhores, o blog mais mais ou menos do mundo vem hoje mostrar a sua nova vertente.

Da série “Eu Odeio os Protagonistas”, trazemos hoje aqui, em nossas discussões mais que insignificantes, o personagem mais adorável, ou detestável, do desenho Caverna do Dragão. Sim o prêmio estrela que não brilha vai para Eric, Cavaleiro nada Cavalheiro, membro da primeira equipe lost da historia das séries televisivas.

Sim, aqui quem comanda é coadjuvante. Sim, não há destaque para protagonistas nesta seção. E, hoje, agora, o destaque será o ser mais insuportável da trama, que faz frente à liderança quase que incontestada do sem sal sem açúcar do Hank.

Eric, o rapaz totalmente não excelente; o sujeito dono do verbete mais contraproducente sobre a face do planeta Terra, e da "Terra do Jamais voltarão pa-casa". Aquele que sempre faz comentários que não agradam; que não agregam; que agridem; que regridem as ações e produções. Sim, o personagem, que em nossa opinião é mais perfeito, o mais redondo da trama. O único que chama o todo poderoso Mestre dos Magos de “você”. O mais coerente entre os seis sem rumo do desenho.

Coerente, sim. Explico.  O que se deve esperar de um sujeito: filho único, de pais ricos, herdeiro de uma grande fortuna; que vivia com o seu vô em uma mansão de portões enormes? Essa criatura, por vias lógicas, há que ter, no mínimo a vontade de sobreviver né? Deu para entender, queri-queris? Antes dele, vem o avô, a mãe, o pai, a fortuna da família, os muros da casa. Ele está dentro de várias bolhas, e é naturalmente mimado. As coisas giram em torno dele, e ponto. Por que que tem que mudar? Por que estão em outro mundo? Na cabeça dele não... Se cada cabeça é um mundo, o mundo dele é mais importante do que todos os outros; seja a Terra, seja a outra Terra; a do "Jamais voltarão pa-casa".  Deu pra perceber agora o porquê do sentimento da necessidade de proteção que ele, ele, só e somente ele tem? É isso...

Isso responde o fato de sua caracterização no outro mundo se dar por via de uma roupa que cobre todo corpo, deixando somente a face amostra, e ter como sua arma – o que mais seria? – um escudo. Psicologicamente a coisa também funciona: o escudo é explicado também por ele estar sempre na defensiva, basta ver um episódio...

Pois é... Já que ele tem aquele tantão de roupa (ainda tem uma camisa branca por baixo de tudo) ele deve dar, pelo menos, a capa dele a alguém, na hora de dormir né?
— U-Quê? Tá bom... Fique esperando aí...
Cara não divide nada...

Como lembrança falamos aqui do episodio que ele ia casar-se com uma rainha visando os lucros... Sem spoilers... Assistam... Vocês verão por que eu amo esse personagem...

A velocidade com que ele muda de opinião é impressionante nesse episodio... Tudo visando lucros... ele é lindo...

Encerramos por aqui, convidando você, que prefere coadjuvantes, a falar comigo. Solte o verbo. Quem é seu principal coadjuvante? Opine. Fala conosco, quem sabe ele não figura aqui, no mural das estrelas ofuscadas, do próximo mês?
Mas que não vai bater no de hoje, ah não vai não...

Sim; marrento; desdenhoso; insuportável; turrão, preconceituoso; desrespeitoso; chato; desonesto; egoísta; egocêntrico; arrogante; pedante, orgulhoso, grosseiro, interesseiro, mal-agradecido e – como não poderia faltar a uma pessoa portadora de todos os ilustres adjetivos anteriormente elencados – naturalmente politicamente incorreto. Mas quer saber? Mesmo assim; sim, nós amamos esse pôia...

Atenciosamente;

Emerson.

Ah: já ia esquecendo: como tirinhas finais, trazemos aqui duas das melhores lembranças desse sacripanta. Primeiro, o dia que esse sujeito disse que “tem uma pessoinha nesse mundo idiota que tem o dom de me irritar. E as iniciais do nome dele é Mestre dos Magos”.

Ou, por segundo e último: a situação do dia que o grupo ponderou, diante da possibilidade de opção de escolha entre dois caminhos. Qual seria o caminho correto? “Qualquer caminho é o errado! Vocês não entendem, não vão entender nunca!”.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Lindo!

Essa foi a pérola-mor já vista por nós em toda existência do desenho Caverna do Dragão.

O que mais que podemos dizer diante de um personagem-lixo desses?

Si-cara é lindo...

Kkkkkkkkkkkkkkk

Parabéns Eric, um dia você consegue voltar...

Você não vale nada mas eu gosto de você...
Você é um coxinha mas eu gosto de você...


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Capas Inspiradoras...

Senhoras. Senhores.
Yô, bom dia.
Da série capas inspiradoras, trago aqui algo que sempre me chamou atenção: a capa do “Os Cães Ladram, mas a Caravana não Pára”, do Planet Hemp.

Em seu conteúdo temos o mais não tão belo rosto de um político, com uma expressão feia, mas também comum; indiferente. A idéia que nos vem à cabeça é que não adianta o que se faça como ser humano, nem como cidadão, eles sempre estarão seguindo daquela maneira, indiferentes aos problemas daqueles que estão sob suas responsabilidades legais.

Ou seja, a banda carioca poderia cantar a vontade, seriam sempre ignorados como qualquer outro cidadão normal. Seriam sempre cães; ladrariam, enquanto a caravana – a política brasileira – jamais pararia, e seguiria, sempre na mesma, indiferente aos nossos problemas.

Muito bom...
Um grande abraço a todos.
Atenciosamente,

Emerson.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Felicidade Clandestina, Clarice Lispector...

Senhoras. Senhores.

Bom dia/tarde/noite; sejam bem vindos. E olha nós, onde cá estamos, mais uma vez, para tratar de assuntos – importantes? Sim, importantes – do blog.

Hoje é dia de literatura brasileira e, como não trabalhamos ainda nada do feminino, trazemos aqui, a nossa mais que humilde esteira de discussões, o conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector, o primeiro conto contido no livro de mesmo título.

Da espécie livro que nos chegou às mãos só temos o que agradecer: santa arrumação em nossa casa que nos fez descobrir essa jóia literária e familiar. Sim; o texto encontrado foi impresso pela Editora Vozes para a Editora Nova Fronteira S.A., em abril de 1989.

E sim; o livro encontrado encontra-se assinado, no mês dez de 1990, por uma amiga pessoal de nossa mais que queridíssima e saudosa irmã, Adriana Borges; hoje, moradora de nossos corações, e bons pensamentos.
Beijos Niãna...

Passado o inevitável momento dos sentimentos, breve comentário do conto...

Pense em duas meninas: Uma e Outra.
Pensou? Ok.
Vamos brincar aqui...
Era uma vez Uma e Outra.
Uma, é feia; Outra é bonita.
Mas Uma é filha de dono de livraria.
Lógico que Uma tem, e não quer dar, um livro, que a Outra quer.
Não quer dar; mas não quer que a Outra desista.
Trocando em miúdos: Uma quer pirraçar a Outra.

Até que um dia Uma é obrigada a dar o tal do livro a Outra.
E Outra? É feliz com o livro? Não; a Outra é feliz com o seu amante.
E fim de papo.
Chega!
Deixa a vida umas e outras...
Ou não... Rsrs...

Agora, as nossas – mais que humildes – impressões...

Ao nos aventurarmos a fazer qualquer que seja leitura de Clarice Lispector o que nos salta aos olhos é sempre a tal da perturbação psicológica. Impressionante como é presente a dimensão mental de cada personagem apresentado por essa ventríloqua. Não só os personagens, nós, leitores também somos manipulados, levados na onda de fumaça.

E por falar em manipulação pense bem nessa palavra ao longo desse conto. Pois é o que mais nos é trazido, na narrativa de uma moça, que conhece outra sujeita; não tão bela, de enorme busto, e com os bolsos cheios de balas.

Acontece que essa sujeita é filha de um dono de livraria, e promete emprestar a personagem principal um livro que lhe é de muito interesse. No dia do empréstimo; pena: esqueceu e emprestou a alguém. No outro? Outro problema, outro esquecimento. E outro e outro e outro, e tome-lhe volta. Assim segue-se a tortura chinesa, segundo a narradora. Aqui em Salvador, diríamos “baratino”...

Belo dia, durante a entrevista que se findaria com mais uma injeção na testa, a mãe da dona do livro chegou; quis saber o que havia para as sucessivas visitas. Sabido do assunto; pasmem: meu Deus criei um monstro, pensou a mãe.

Bomba: o livro sempre estivera lá. Duas descobertas conflitantes: a personagem principal; de que estava sendo feita de trouxa; e pior: da mãe, de que tinha uma filha que operava em sadismo silencioso a duzens-zi-vinte voltz, com bordas, para não falar requintes, de psicopatia.
Que beleza de ser humano hein? Sádica, psicopata; perversa e indiferente.
E olhem que chupava doces o dia todo viu?
Magine se fosse chá de boldo...
Ela ia ser o satanás de toca...

Uma solução tinha de ser dada àquela situação gravíssima, mas não se confundam, a mãe também não é santa: há que se solucionar o caso. Não por compaixão da menina anônima plantada no portão, mas sim a perversidade da filha. Descobrir que um filho seu age dessa maneira é realmente revelador.

Batido martelo: estava obrigada a dar o livro, e outra teria o direito de ficar com o dito cujo por quanto tempo quisesse.
Ouviram?
Quanto tempo quisesse... Era lindo...
E assim segue-se a vida da moça, feliz; como gente no luxo; como pinto no lixo. Weba! Ela curte; ela brinca, ela esquece de propósito para depois reencontrar o tal do livro; a felicidade consubstanciada no objeto retirado da menina má.

Uma interessante alegria, notável estado de êxtase; uma – como muito bem posto no título – literal felicidade clandestina. Felicidade que catalisou, subiu, e elevou o objeto ao estado de pessoa.

Elevou-se a ponto de fazer a moça ver-se não mais como uma menina com um livro: uma mulher com seu amante. Essa foi a outra marca que Clarice nos deixou: a da subversão.

Em geral se flagra na sociedade, sempre, fortes sintomas de deploração dos valores éticos e morais, o que chamamos de coisificação das pessoas. Em Graciliano, por exemplo, isso é muito freqüente. Graciliano só pa-variar. É possível levantarmos a pergunta de que Clarice fez aqui o processo inverso: que ela operou, então, a personificação da coisa, no caso o livro, transformando-o em amante? Acho valido pensar assim...

Não precisa dizer que o embate entre as anônimas – daí “Uma & Outra” – fica muito mais do que recomendado né?
Nota mais que dez...
Não tínhamos tido experiência de leitura com Clarice; mas agora, parece que a coisa vai se dar de vento em polpa. E que venha, daí, uma amizade sincera. É o nome do conto seguinte, rsrsrs...

Se formos fazer uma análise mais que simplista do que se pode ser entendido até como um conto infantil dessa escritora de mega-calibre, veremos que quem sabe, sabe; que quem é grande é grande; e faz coisas grandes, mesmo que o fato seja uma besteirinha, como uma broma de meninas adolescentes; mesmo que seja o embate entre uma que quer, outra que não quer dar, mas quer que a outra queira...
Mara...
Até a próxima.
Forte abraço.
Atenciosamente;

Emerson.
Valeu Niãna...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Artista ou não?

(Diálogo 1993-2017)

Senhoras. Senhores.

Bom dia/tarde/noite; viemos hoje com a boa intenção, sem tensão nem pretensão; porém, com muita atenção e antenação, falar sobre um quesito interessante atualmente: cantor de RAP Nacional, artista ou não?

Essa pergunta foi feita anteriormente (1993) pelo ainda desconhecido grupo de Rap Facção Central, na canção de mesmo título, presente no disco "Juventude Atitude".

A resposta para a pergunta parece bem fácil de se fazer. Lógico que o ritmo musical hoje é outro: ganhou visibilidade; gera mercado; envolve pessoas e tem sim, suas grandes estrelas, com figurino particular, e cantando, inclusive, pasmem, na França.

O problema para nós é: se formos colocar todos na mesma caixa, e dizermos que são todos artistas, o Eduardo, ex FC é um artista, e tem a mesma visibilidade que os demais.

Ele, autor da música que questionava sua posição na sociedade, sua condição de existência no mundo artístico, visto que os Rappers naquela época eram todos, a priori, ladrões, e sofriam ameaças abertas nas blitz policiais.

“Cantor de Rap nacional tapa na cara que premiação!
Artista de um mundo que não existe;
É coisa de ladrão!”.

Quer sintoma maior de exclusão?
Pois é; em noventa era assim...

Mas então se mudou, mas não para alguns como o Eduardo, então há um racha no movimento? Odeio essa palavra, mas...

Se o ideal do movimento (odeio essa também) é união; o que está havendo com o Rap?

E a pergunta permanece: todos estão bem abancados? Ou será que o rapper mais contundente será para todo sempre um “artista de um mundo que não existe!”?

Fica então a questão...
Os cantores de Rap.
O que são eles?
Quem são eles?
O que fazem?
Incomodam ainda?
Será? Ou não?
São, por último, Artistas? Ou não?

Estamos em busca de respostas...
Iremos investigar fundamente...
Ouçam a música!

“Artista ou não?”, Facção Central, 1993...
Rap de muita, ma-muuuita qualidade...

Vejam quais eram os questionamentos láaaaaaa em um ano antes do tetra! Qual era o tratamento que a policia delegava aos, hoje, estrelas da música da favela... Era um reppaercídio...

Depois venham falar conosco...

Ou será que... somos críticos de dois mundos do Rap; mundos que não existem?

Atenciosamente,


Emerson.
link:
https://www.youtube.com/watch?v=vWLobqnLVrw