quarta-feira, 15 de março de 2017

Breve comentário sobre O Mulato, de Aluísio de Azevedo



Senhoras. Senhores.

O Mulato é uma obra de Aluísio de Azevedo, escrita em 1881. Sobre o livro que nos chegou às mãos, da Editora Escala; série Coleção Grandes Mestres da Literatura Brasileira, o melhor mesmo é não entrar em pormenores! Várias queixas! Váaaaarias queixas! Várias! Melhor não falar. A etiqueta não nos permite. Vamos nos poupar em falar; melhor, vamos mesmo é nos omitir e não proferir os adjetivos que realmente cremos ser de direito descer sobre esse material...
O modo de impressão, tipo de papel etc. Podemos perceber no livro falhas na acentuação; aspas que se abrem e não se fecham, e vice-versa. Uma beleza, para não dizer o contrário. O segundo parágrafo do texto que resume o livro é iniciado com letra minúscula! Calculem...
Pior: o Dom Casmurro que temos aqui, para reler, é da mesma editora. Sobre a expectativa? Frio na espinha a vista! Em preparo psicológico antecipado... Oremos; oremos...
Olha; vocês deixem minha língua quieta!
O blog é novo; vamos evitar polêmicas... Breve resumo...

Manoel da pescada recebe Raimundo, filho de seu irmão, José da Silva, para tratar de negócios mal resolvidos do passado. Desde o início, a chegada do rapaz é mal vista, tanto pelo tio que o irá receber, quanto por mais alguém, que não interessa quem.
Com o desenrolar dos fatos, Ana rosa e Raimundo, para surpresa de alguns, não dos fofoqueiros de plantão; apaixonam-se. A mão da moça chega a ser pedida ao pai da menina, mas é “gentilmente” negada!
Contudo, como todo belo par romântico que se preza, Raimundo e Ana Rosa insistem em casarem-se e serem felizes para sempre, e seguem em frente, garimpando em busca do comum final romantismo style, mesmo que para isso tenham que enfrentar a Deus e o mundo.

Nossas impressões.
Ao ler O Mulato de Aluísio de Azevedo, podemos nos perceber dentro de uma narrativa bem semelhante a do Cortiço. Não é de se surpreender: o Realismo era uma escola literária que tinha como uma das suas características mais marcantes primar pelo distanciamento das personagens em sua narrativa, e tentar em sua descrição, expor as pessoas como elas são, individual e coletivamente. Logo, desde crítica social, anti-clericalismo, preconceito racial; social, não idealização da mulher (graças a Deus), e o triunfo do – possível – mal sobre o bem; tudo lá estará. Como as fofocas se propagam em determinada região. Vixi tomamos um susto: nunca vi; a Maranhão é tão Salvador meu Deus...
O negro que não se percebe como negro; e que deseja mal a outro negro. Nota-se isso claramente na trama quando um mulato sorri ao saber do rechaço que Raimundo sofre, e dá o seu veredicto: “bem feito! Bem feito!... vociferava um mulato pálido, de carapinha rente, bem vestido e com um grande e brilhante dedo. É muito bem feito, para não consentirem que estes negros se metam conosco”. (pág. 187).
O problema mesmo está não na narrativa em si, mas em como a mesma se desenrola. O início do livro já é um tantinho enfadonho. No meio há um entrave. Fluidez? Somente nas segundas metades do livro.
Entendeu?
Não?
Explicamos...
Seguinte divida o livro em duas partes. Dividiu? Ok. Temos agora, separadamente, duas partes de cinqüenta por cento do romance, a inicial e a final. Ok...
Nos dois segundos vinte e cinco por cento a coisa vai correr muito bem, ou seja, as segundas partes, tanto da primeira quanto da segunda metade do livro; é ali que está o que há de bom na obra, o que há de aproveitável. De resto, é passar. Aaah...
Querem um conselho; de amigo mesmo? Sobrevivam à maldita festa de São João. É como uma dor de barriga noturna: o tempo passa mais lentamente; tudo dói; tudo incomoda. Mas ultrapasse, sobreviva; que depois se melhora. E se perdoa também. Afinal, mais a frente o espetáculo junino enfadonho se revela de alguma utilidade prática para a narrativa, na questão do personagem principal em sua autodescoberta.
Acerca de como se dá a relação do casal na trama achamos bem positiva. Deus do céu, a mulher é um ser humano como o homem, por que não uma iniciativa? Muito bem, ótimo! Pontuamos como interessante... Mas pouco se tem a dizer algo relacionado ao casal em si. Há pouca rasgação de seda. Esse é o lado bom do Realismo: a lenga-lenga fica de lado.
Mas, se temos que tirar o chapéu para o escritor em alguma categoria que seja na da “criação de personagem”. Temos, em “O Mulato”; ninguém menos que Dom Diogo – “alguém que não interessa quem” – o padre, posteriormente promovido a cônego, que faz e acontece, desfila vontades, maldades, e latim durante todo transcorrer da trama.
Há grande positividade, afirmamos, na ousadia de Aluísio de Azevedo, e esta qualidade que o coloca frente de seu tempo. Em nosso ponto de vista, a ousadia de trazer para ao público, em 1881, um vilão, cônego, é um gesto a se fazer honrarias. Cônego, desonesto, infiel ao celibato; adúltero; assassino; racista, conspirador, e traficante de influencias? Valeu Mestre Aluísio...
 Se hoje uma crítica à igreja ainda causa grande polêmica, e rende problemas a quem a propaga, imagina naquela época? O que a igreja católica não deve ter desejado, em nome de Deus, ao escritor maranhense, que segundo rumores, inaugura o Realismo no Brasil? Ponto para ele...
A cena de manipulação sobre Dias, o fantoche, quando o clérigo deseja usá-lo para atingir seu grande intento é a parte mais linda da trama. “Vamos, meu amigo, não seja mau, salve aquela ovelha inocente das voragens da prostituição! Salve-a em nome da igreja! Em nome do bem! Em nome da moral!”. E continua: “Então avie-se! Está a fugir a única ocasião que Deus lhe faculta!”. Bem pesado... E bem bom...
Para que-que servem os padrinhos afinal de contas? Para agir como pai na ausência dos mesmos. Se Manoel da Pescada não deu jeito; Dom Diogo resolve... E os anjos dizem amém...
Em ralação ao final – e estamos tentando evitar soltar algo aqui – nos posicionamos a trazer um questionamento: por que mal? Por que bem? Por quê? É realismo! São pessoas, que estão de determinados lados, e que defendem seus interesses. Realismo é isso... Distanciamento da escolha de um dos lados da trama. Bem, mal não existem! Bem mal prudente é quem tenta atribuir valores românticos aos traços narrativos dessa escola literária...
E se bem formos observar o final de forma mais tolerante, o livro, considerado primeiro da escola realista, também pode ser considerado um dos últimos românticos. Afinal, há o tradicional “eles casam-se e são felizes para sempre”. Um final que agrada ao meio social...
Ana Rosa, passados quatro anos, engorda e é mãe de três filhinhos, “mas ainda estava boa, bem torneada, com a pele limpa, e a carne esperta”. Ah ma-que narrador mais'afadhÊnho! Batemos palmas para ele! Realismo é o que há...

Então, fica por aqui a nossa análise comentada de “O Mulato”; de Aluísio de Azevedo. Uma narrativa um tanto quanto amarrada em alguns momentos. Técnica que irá o seu ponto mais alto com sua maior obra, em 1890.
Seis e meio a nota. Dom Diogo é um personagem que salva a lavoura, mas não faz milagre. O livro é mediano.
Portanto, recomendamos, sim; mas com duas condições: para quem gosta do autor; do estilo realista.
Observação: há que se ter algum nível de tolerância e compreensão de que, tanto o autor quanto o estilo realista está ainda em suas primeiras aventuras literárias em terras tupiniquins.
Há que se gostar também de Dom Diogo. É quem salva a trama prematura.
Mas tenhamos paciência. Como coletaríamos um bom fruto duma arvore sem raiz? As coisas precisam ser iniciadas; para, posteriormente, evoluir...
Então, paciência...
Precisamos ser tolerantes...
Sim, precisamos ser tolerantes, mas com a narrativa, e com o autor. Ponto. O mesmo não vale, porém, para a edição do livro, que está realmente sofrível!
Gente; não é falando não, mas há momentos que o trabalho parece ter sido feito... Há problemas graves de pontuação, de acentuação.
Uma pena esse livro ter que figurar por 24 horas no mural do blog pow... Mas, regras são feitas para serem seguidas...
Realmente eu acredito que um trabalho daquele tem mais é qu–Opa! Vamos parar por aqui? O blog é novo...
Vamos evitar polêmica, e bla-bla-bla.
Até...
Atenciosamente,

Emerson.
Ah: já íamos esquecendo: aviso aos navegantes: para quem gosta de ser chamado de mulato; mulata.
Cuidado! O termo deriva da idéia de um animal, a mula; que nada mais é do que uma mistura, um híbrido; um derivado que se obtém através do cruzamento feito entre jumento e égua. Vale salientar que a mula é um ser estéril por natureza.
O nosso tão lindo e harmônico Brasil sempre-sempre passou por período de política de branqueamento, onde o apoio ao casamento era dado somente a pessoas brancas, tal como no livro comentado. Casamento? Filhos?  Somente do homem branco com a mulher branca.
Portanto a mulata – mulher negra fruto já do estupro do homem branco sobre a mulher negra – tinha nessa sociedade apenas essa função: a de oferecer sexo ao homem branco. E nada mais. Casamento? Filhos? não! Com uma mulata não; com uma híbrida não própria para a reprodução não!
Portanto podemos crer que há que se desconfiar das boas intenções de quem lhe olha, lhe sorri cordialmente, e lhe chama – e achando que está fazendo um grande favor em lhe chamar – de mulata; morena linda.
Será que isso acontece em dias atuais? Dá uma olhada nos comentários do carnaval da Globo, e tira duas dúvidas. Teve gente que falou que no desfile de determinada escola de samba tínhamos “um navio negreiro ideal: um navio negreiro sem sofrimento”! Uma delícia! Por uma questão de ética não vamos falar o nome da pessoa nem que a vaca tussa – Fátima Bernardes. Além do que; o blog é novo; vamos evitar polêmicas.

Aí vem a pergunta que não quer calar?
E o mulato, o homem negro fruto do estupro do homem branco sobre a mulher negra, para que servia?
Ora ma-isso é muito simples: aí você pega a palavra “MULATO”, tira as leras “U” e “L”, que você terá “MATO”.
Depois é só colocar a palavra “CAPITÃO” na frente, pronto. Está feita a mágica somática. Capitão do mato era o que os mulatos eram.
Capitães do Mato era o que eram. Flagra-se no livro um mulato que fala mal de outro, chamando-o inclusive de “negro” para reduzi-lo mais ainda, como bem pontuamos aqui em nossa análise medíocre.
Ma-vamo fazer o seguinte?
Vamos parar por aqui?
É que o blog é novo. Devemos evitar...
Até a próxima postagem...
Assim sendo; até a próxima!
Meus morenos lindos.

Mas será que isso acontece aqui, ainda, em dias atuais?
Será que o Brasil é um país ainda racista?
Há ainda quem não queira admitir sua negritude?
Não sei, mas faça o teste você mesmo: pergunte ao Neymar.
Ou ao Ronaldo Fenômeno!
Aposto que eles, mesmo não sendo negros, são estritamente contra essa prática odiosa.
Rsrs...
E que se foda o mundo; não me chamo Raimundo!
Kkkkkkkkkk

Crônica, dia 25...


6 comentários:

  1. Respostas
    1. WOOpa!
      Obrigado Patrícia.
      Parece que começamos bem...
      Até a próxima.

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  2. Maravilhosa sua colocação, seu ponto de vista vai muito além do que eu consegui interpretar ao ler o livro.
    Eu aprecio o Realismo, tenho me ausentado da literatura ultimamente, mas a literatura Realista é que mais me atrai.

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    1. WOpaaaaa!
      Temos aqui, mais alguém que curtiu...
      Vão aparecer aqui, mais análises de textos realistas; esteja conosco, por favor, e confira!
      Atenciosamnete; Emerson.

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  3. Rpz... Eu leria sua análise até se ela tivesse 50.000 páginas. Gostei muito. Escrita gostosa da p*

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  4. Woopa, minha querida Soraya...
    Soraya Brito.
    Que mais eu posso lhe dizer?
    Obrigadaço, fico muito feliz com a motivação que vocês dedicam a mim, juntamente com a confiança...
    Continuarei, sim...

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