sexta-feira, 31 de março de 2017

Rashomon; Akutagawa Ryunosuke...


羅生

Senhoras. Senhores.

Bom dia/tarde/noite para você que está me lendo a qualquer momento. Aviso: não se assuste. Sim; voltamos a usar o mesmo livro como corpo de análise, mas tenham fé: hoje o conto a ser analisado será Rashomon, segundo, dos onze presentes no livro Kappa e o Levante Imaginário, de Akutagawa Ryunosuke.
SIM; o kanji ali em cima é o titulo do conto.
Portanto, SIM, aqueles ideogramas significam “Rashomon”... Ao menos é assim que o autor escreve...
Portanto SIIM nós sabemos japonês! Aaaaaaaaae!
AÊÊê...

SQN! Sim, isso é só mais uma piada sem graça de Emerson Borges isso sim! Sorriam por favor... Produção agradecerá...
A verdade é que não; eu não falo japonês!
Tsc...
Bom, vontade não me falta...
Faz parte de planos nossos...
Um dia; quem sabe, aprenderemos...
Mas, aqui; cá entre nós, na verdade o que aconteceu foi que pedimos ajuda a nossas fontes misteriosas – hummmmm...
Ói nós! Chei’dos mistérios...

Quem sabe um dia?
Quem sabe um dia...
Divago...
Chega né? Caminhemos...

É repetitivo, mas prudente informar que o livro foi publicado pela editora Estação Liberdade, no ano de 2010, e que, tradução e prefácio ficaram sob a responsabilidade de Shintaro Hayashi.

Passados os primeiros reclames, ao breve mais que breve resumo.
Despedida e encontro podem ser sinônimos! Sob forte chuva está o portal de Rashomon. Sob o portal de Rashomon está um servo. Que está sob constante reflexão. Está parado. E sozinho. Mas... Nem tanto...
Sim, por favor, acreditem: esse é um resumo que entendemos como cabível a esse trabalho super interessante desse grande escritor...
Vamos as nossas impressões...
Quando colocado sob o portão e sob a chuva; ao lado de um servo anônimo, o leitor logo perceberá que a situação em que se encontra, e os problemas que enfrenta e enfrentará este sujeito são e serão muito mais do que sérios; trágicos.
Devastação sucedida na cidade Kyoto, vítima de seguidas catástrofes, o sujeito anônimo reflete enquanto observa a chuva cair, acompanhado, até então, somente de, vejam só: um grilo. Sim, um insignificante grilo...
Depois do caos local o sujeito foi despedido de seu senhor, e é aí que a narrativa corrige-se: está passando a chuva, mas, quando passar, ainda assim, ele não terá para onde ir. O sujeito pensa, enfim, “e se...”. E se abandonasse os valores dos tempos de empregado, e fizesse algo irremediável e horrível – roubar – para sobreviver?
É durante esse instante de choque que ele se levanta, já incomodado. Está frio. Sua túnica azul desbotada não o protege da brisa. E ele agora está totalmente sozinho! O mero grilo já o deixou. Mas-pera lá: é bom ter respeito com os animais; independente do tamanho e espécie. Depois de intensa e apurada pesquisa – mentira! Googamos, rsrs... – vimos que, no Japão, o grilo é um animal que simboliza sorte. Ou seja: esquece a insignificância mencionada lá em cima. Logo, podemos entender que seu último fragmento de sorte se afastou.
O azul, trazido através da túnica, no Japão significa pureza, limpeza. E está se desbotando. Enquanto a hora do macaco – entre as três e as cinco horas da tarde – está quase no fim. O macaco é um animal que significa caminho feliz. Logo não precisa ser gênio para saber que podemos constatar que seu bom caminho está afastando-se de si; e sua luz também, a medida que a tarde já é quase noite.
Observa a degradação local: depredação espacial, destroços de estátuas de deuses estão no chão; fezes de corvos, e cadáveres amontoados estão a sua volta.
Em seu rosto nota-se o surgimento de uma espinha. Seria um sinal de... Degradação; deformação do caráter? Vai saber...
É quando resolve marchar Rashomon a diante, em busca de lugar para passar aquela noite ao menos. O mau cheiro incomoda, mas só por um momento. Um instante e ele já faz parte do ambiente fétido sem nenhum problema. Avança; avança; e... Ponto! Para! Uma luz! Uma chama! Alguém! Alguém no local... Uma velha.
Uma velha? Roubando um cadáver? Ah ma-que falta de vergonha! Ela merece uma punição! Onde está o caráter? Mão na espada!
Conflito!
Estão face a face...
A velha merece ser punida...
Mas antes, um questionamento. Um instante de conversa; de diálogo. Ação reação solução. E fim do conflito. Fim do drama? Fim da trama? Fim da briga? Fim da vida? Talvez... A espinha está pustulenta...
Querem uma pista? Sempre bom ouvir os mais velhos...
Pra que grilo se ele está no sétimo degrau?
Sim! No Japão o número sete significa...

Então...
Sem horas; sem oras...
Fica então aqui, a dica de leitura de mais um conto escrito, em nível de excelência – Aah puxo saco mesmo; o curtinho, porém emocionante Rashomon, conto que inspirou o também brilhante (evitemos comparações) filme de mesmo nome.
Daí voltemos; ao dito no início: despedida e encontro podem ser sinônimos. Ao menos no conto, sim. Afinal, o personagem principal, o servo anônimo foi despedido, afastou de seu chefe e companheiros, e parou no Rashomon, sozinho, onde, encurralado pela forte chuva, foi obrigado a refletir, e encontrar-se consigo mesmo.
Interessante para nós nos atermos ao momento em que o servo percebe que está inegavelmente acossado, tanto fisicamente, pela forte chuva que cai sobre o portal; quanto psicologicamente pelo sentimento de angústia avassalador, no momento em que, inegavelmente, é forçado a seguir em frente; a entender que terá de recorrer a algo não próprio de sua conduta: roubar. Instante de maior drama e tensão particular da trama.
Ao encontrar-se com a velha, novo e profundo conflito, interno e externo, se estabelece; até dar a sentença final ao caso; e retirar-se do Rashomon, entregando-se mais uma vez à companhia da solidão.
E que solução final...
Caramba...
Tudo isso em, pasmem, oito paginas.
Hum...
Senhores; apresento-lhes: Akutagawa Ryunosuke...
O que acontece no final?
Ah num-conto!
Ma-num-conto mesmo!
Ma-nu-conto você vê...
Rsrs...

Uma dica interessante sobre o final: é sempre bom ouvir os mais velhos.
Então...
Pense bem nisso...
Só não vá ficar grilado.
Ou melhor; fique!
No Japão te que é bão...
Rsrsrsrsr
Se você gostou do vídeo não esquece de dar um join– Vixi! Pêra lá!
Calma minha gente!
Não sou vlogueiro...
Ainda...
Aguarem cenas dos próximos capítulos...
Se Orientem...
Kkkkkk
Atenciosamente;

Emerson.


sábado, 25 de março de 2017

Crônica

Dentro do abatedouro, na minha não-bela manhã dominical estou eu, inciando meu big-stress ainda em fase de litlle-stress com uma tal de uma fila em estado imóbilys. Estava pré-estressado – 1) não teve baba, 2) eu não ia beber uma cerva, 3) e a desgraça do BAHIA NÃO IA JOGAR POR QUE SEGUNDA NÃO É DOMINGO!

Com uma vontade de ir ao banheiro – antes era vontadinha – cá estou eu, de olha-olha ara o estado fila. Entra e sai da porra de gente no mercado, passa-passa de gente na feira; mil coisas acontecendo no mundo. e aqui o imóbilys comendo no centro.

Com esses pensamentos atordoando meu juízo, olho pra frente e percebo a menina do caixa com uma paciência que Deus me livre! Sorriiiiindo e fazendo as coisas... e sorrindo... e fazia outra coisa... e sorrindo... Ourra... Esse é o momento que eu fico logo com raiva da alegria dos outro. Eu fico igual a menino reprovado. Nem me venha pa-cá feliz me dizer que passou, eu quero saber quem perdeu mermão... eu quero compartilhar raiva...

Não podia mudar porque no abatedouro, ao lado do antigo Marcos Vídeo, só funciona um caixa para a cobrança. Dou muxoxo; faço cara feia (é fácil), fico em mei-ponta de pé, olho para todos os lados em um segundo. E a desgraça da fila que não andava de jeito nenhum... Assim começou meu dia...

Um século depois a fila andou, e eu, já com a barba islâmica, olho para frente e vi duas mulheres que não se decidiam se levava ou não um tal de um shampoo, e a caixa, ao invés de dar andamento na jogada, não, ficava parando para fazer soma "com o shampoo é tanto, sem ele é tanto... mas tem aquele outro que fica mais em conta... então você leva um de num sei que e fica com outro num sei que e aí leva o shamp" NÁAAAA! Se fuder rapaz... As pessoas têm limites...

Já que não podia falar muito menos fazer o que eu queria, apenas  olho com a cara da paciência para o trio-ternura: "Ôrrãmmm!".

Foi categoricamente alto, e fez com que as três me encarassem na mesma hora, e ficassem sem tirar os olhos de mim. Sem demonstrar 1% de vergonha, olhei bem para elas, mordi meu lábio inferior com os dentes superiores, balancei a cabeça, dizendo com esse gesto que "aí é brincadeira... Né? Ou vai ou não vai... Né..."

Não sei como nem por que mas em meio segundo a conta foi paga (não sei se levaram ou não a banana do shampoo). Minha vez; lá vou eu com minha de cão; paro no caixa:

— Filinha... Menina... Bom dia... Desculpe viu filinha? Minha irritação não foi com você não viu...
Foi com as duas lá... Que banana! O povo vem pro lugar e não sabe o que vi levar... Que coisa...

— Pois é né? Você viu né?

— Vi, vi sim. [Vi poha nenhuma!] Mas tu como funcionaria tem que ser educada...

— Ainda bem que você entende isso...

— sim... Claro... Hum...

Conta paga; saio do abatedouro com o saco de pão na mão, e me bato de frente com quem, com quem? As duas moças... O Diabo é sujo... Olhei para uma delas com a cara de cão, depois sorri:

— Moças belas! Perdoa o mau jeito lá viu... Não foi com vocês não viu... Foi aquela caixa... Mulher burra da poha... Todo dia eu compro pão aqui e essa lerdeza não pára... Minha mãe tá em casa morrendo de fome, tendo que tomar café (que mentira! Já tinha tomado). Ah... Hoje eu explodi...

— Não, não... Mãe é mãe... Mas eu pensei que, pelo jeito que você falou, você tivesse pirado com a gente...

— NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO MENINA! Longe de mim! Olha: lhe proíbo de pensar isso de mim – Falo eu, na bucha... E mentindo... – Meu problema é com aquela idiota...

— Ah sim...

— Mulher lerda da banana!

— É...

— Fica parando os outros pra ficar perguntando demais! E se vai querer, por que com shampoo a conta dá num sei quanto, e sem shampoo é num sei quanto.. Parecendo que vocês nem sabiam contar, ou não tinham dinheiro pra pagar...

— Também acho...

— Vender é execução-pai; né pa-Ficar induzindo pensando demais não... Fica falando parecendo que vocês não sabiam o que queriam...

— ISSO! Você viu como ela falou menino? 

— Vi sim... E ainda com a cara dela de abstalh[...].

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Então, aí fica, um pouco de mim, pra quem quer conhecer...

O que eu tenho a dizer digo a pessoa na frente...

Um pouco do meu jeito de ser...

Sincero que só...

Sincero que sô...

Atenciosamente;


Emerson.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Breve comentário sobre O Mulato, de Aluísio de Azevedo



Senhoras. Senhores.

O Mulato é uma obra de Aluísio de Azevedo, escrita em 1881. Sobre o livro que nos chegou às mãos, da Editora Escala; série Coleção Grandes Mestres da Literatura Brasileira, o melhor mesmo é não entrar em pormenores! Várias queixas! Váaaaarias queixas! Várias! Melhor não falar. A etiqueta não nos permite. Vamos nos poupar em falar; melhor, vamos mesmo é nos omitir e não proferir os adjetivos que realmente cremos ser de direito descer sobre esse material...
O modo de impressão, tipo de papel etc. Podemos perceber no livro falhas na acentuação; aspas que se abrem e não se fecham, e vice-versa. Uma beleza, para não dizer o contrário. O segundo parágrafo do texto que resume o livro é iniciado com letra minúscula! Calculem...
Pior: o Dom Casmurro que temos aqui, para reler, é da mesma editora. Sobre a expectativa? Frio na espinha a vista! Em preparo psicológico antecipado... Oremos; oremos...
Olha; vocês deixem minha língua quieta!
O blog é novo; vamos evitar polêmicas... Breve resumo...

Manoel da pescada recebe Raimundo, filho de seu irmão, José da Silva, para tratar de negócios mal resolvidos do passado. Desde o início, a chegada do rapaz é mal vista, tanto pelo tio que o irá receber, quanto por mais alguém, que não interessa quem.
Com o desenrolar dos fatos, Ana rosa e Raimundo, para surpresa de alguns, não dos fofoqueiros de plantão; apaixonam-se. A mão da moça chega a ser pedida ao pai da menina, mas é “gentilmente” negada!
Contudo, como todo belo par romântico que se preza, Raimundo e Ana Rosa insistem em casarem-se e serem felizes para sempre, e seguem em frente, garimpando em busca do comum final romantismo style, mesmo que para isso tenham que enfrentar a Deus e o mundo.

Nossas impressões.
Ao ler O Mulato de Aluísio de Azevedo, podemos nos perceber dentro de uma narrativa bem semelhante a do Cortiço. Não é de se surpreender: o Realismo era uma escola literária que tinha como uma das suas características mais marcantes primar pelo distanciamento das personagens em sua narrativa, e tentar em sua descrição, expor as pessoas como elas são, individual e coletivamente. Logo, desde crítica social, anti-clericalismo, preconceito racial; social, não idealização da mulher (graças a Deus), e o triunfo do – possível – mal sobre o bem; tudo lá estará. Como as fofocas se propagam em determinada região. Vixi tomamos um susto: nunca vi; a Maranhão é tão Salvador meu Deus...
O negro que não se percebe como negro; e que deseja mal a outro negro. Nota-se isso claramente na trama quando um mulato sorri ao saber do rechaço que Raimundo sofre, e dá o seu veredicto: “bem feito! Bem feito!... vociferava um mulato pálido, de carapinha rente, bem vestido e com um grande e brilhante dedo. É muito bem feito, para não consentirem que estes negros se metam conosco”. (pág. 187).
O problema mesmo está não na narrativa em si, mas em como a mesma se desenrola. O início do livro já é um tantinho enfadonho. No meio há um entrave. Fluidez? Somente nas segundas metades do livro.
Entendeu?
Não?
Explicamos...
Seguinte divida o livro em duas partes. Dividiu? Ok. Temos agora, separadamente, duas partes de cinqüenta por cento do romance, a inicial e a final. Ok...
Nos dois segundos vinte e cinco por cento a coisa vai correr muito bem, ou seja, as segundas partes, tanto da primeira quanto da segunda metade do livro; é ali que está o que há de bom na obra, o que há de aproveitável. De resto, é passar. Aaah...
Querem um conselho; de amigo mesmo? Sobrevivam à maldita festa de São João. É como uma dor de barriga noturna: o tempo passa mais lentamente; tudo dói; tudo incomoda. Mas ultrapasse, sobreviva; que depois se melhora. E se perdoa também. Afinal, mais a frente o espetáculo junino enfadonho se revela de alguma utilidade prática para a narrativa, na questão do personagem principal em sua autodescoberta.
Acerca de como se dá a relação do casal na trama achamos bem positiva. Deus do céu, a mulher é um ser humano como o homem, por que não uma iniciativa? Muito bem, ótimo! Pontuamos como interessante... Mas pouco se tem a dizer algo relacionado ao casal em si. Há pouca rasgação de seda. Esse é o lado bom do Realismo: a lenga-lenga fica de lado.
Mas, se temos que tirar o chapéu para o escritor em alguma categoria que seja na da “criação de personagem”. Temos, em “O Mulato”; ninguém menos que Dom Diogo – “alguém que não interessa quem” – o padre, posteriormente promovido a cônego, que faz e acontece, desfila vontades, maldades, e latim durante todo transcorrer da trama.
Há grande positividade, afirmamos, na ousadia de Aluísio de Azevedo, e esta qualidade que o coloca frente de seu tempo. Em nosso ponto de vista, a ousadia de trazer para ao público, em 1881, um vilão, cônego, é um gesto a se fazer honrarias. Cônego, desonesto, infiel ao celibato; adúltero; assassino; racista, conspirador, e traficante de influencias? Valeu Mestre Aluísio...
 Se hoje uma crítica à igreja ainda causa grande polêmica, e rende problemas a quem a propaga, imagina naquela época? O que a igreja católica não deve ter desejado, em nome de Deus, ao escritor maranhense, que segundo rumores, inaugura o Realismo no Brasil? Ponto para ele...
A cena de manipulação sobre Dias, o fantoche, quando o clérigo deseja usá-lo para atingir seu grande intento é a parte mais linda da trama. “Vamos, meu amigo, não seja mau, salve aquela ovelha inocente das voragens da prostituição! Salve-a em nome da igreja! Em nome do bem! Em nome da moral!”. E continua: “Então avie-se! Está a fugir a única ocasião que Deus lhe faculta!”. Bem pesado... E bem bom...
Para que-que servem os padrinhos afinal de contas? Para agir como pai na ausência dos mesmos. Se Manoel da Pescada não deu jeito; Dom Diogo resolve... E os anjos dizem amém...
Em ralação ao final – e estamos tentando evitar soltar algo aqui – nos posicionamos a trazer um questionamento: por que mal? Por que bem? Por quê? É realismo! São pessoas, que estão de determinados lados, e que defendem seus interesses. Realismo é isso... Distanciamento da escolha de um dos lados da trama. Bem, mal não existem! Bem mal prudente é quem tenta atribuir valores românticos aos traços narrativos dessa escola literária...
E se bem formos observar o final de forma mais tolerante, o livro, considerado primeiro da escola realista, também pode ser considerado um dos últimos românticos. Afinal, há o tradicional “eles casam-se e são felizes para sempre”. Um final que agrada ao meio social...
Ana Rosa, passados quatro anos, engorda e é mãe de três filhinhos, “mas ainda estava boa, bem torneada, com a pele limpa, e a carne esperta”. Ah ma-que narrador mais'afadhÊnho! Batemos palmas para ele! Realismo é o que há...

Então, fica por aqui a nossa análise comentada de “O Mulato”; de Aluísio de Azevedo. Uma narrativa um tanto quanto amarrada em alguns momentos. Técnica que irá o seu ponto mais alto com sua maior obra, em 1890.
Seis e meio a nota. Dom Diogo é um personagem que salva a lavoura, mas não faz milagre. O livro é mediano.
Portanto, recomendamos, sim; mas com duas condições: para quem gosta do autor; do estilo realista.
Observação: há que se ter algum nível de tolerância e compreensão de que, tanto o autor quanto o estilo realista está ainda em suas primeiras aventuras literárias em terras tupiniquins.
Há que se gostar também de Dom Diogo. É quem salva a trama prematura.
Mas tenhamos paciência. Como coletaríamos um bom fruto duma arvore sem raiz? As coisas precisam ser iniciadas; para, posteriormente, evoluir...
Então, paciência...
Precisamos ser tolerantes...
Sim, precisamos ser tolerantes, mas com a narrativa, e com o autor. Ponto. O mesmo não vale, porém, para a edição do livro, que está realmente sofrível!
Gente; não é falando não, mas há momentos que o trabalho parece ter sido feito... Há problemas graves de pontuação, de acentuação.
Uma pena esse livro ter que figurar por 24 horas no mural do blog pow... Mas, regras são feitas para serem seguidas...
Realmente eu acredito que um trabalho daquele tem mais é qu–Opa! Vamos parar por aqui? O blog é novo...
Vamos evitar polêmica, e bla-bla-bla.
Até...
Atenciosamente,

Emerson.
Ah: já íamos esquecendo: aviso aos navegantes: para quem gosta de ser chamado de mulato; mulata.
Cuidado! O termo deriva da idéia de um animal, a mula; que nada mais é do que uma mistura, um híbrido; um derivado que se obtém através do cruzamento feito entre jumento e égua. Vale salientar que a mula é um ser estéril por natureza.
O nosso tão lindo e harmônico Brasil sempre-sempre passou por período de política de branqueamento, onde o apoio ao casamento era dado somente a pessoas brancas, tal como no livro comentado. Casamento? Filhos?  Somente do homem branco com a mulher branca.
Portanto a mulata – mulher negra fruto já do estupro do homem branco sobre a mulher negra – tinha nessa sociedade apenas essa função: a de oferecer sexo ao homem branco. E nada mais. Casamento? Filhos? não! Com uma mulata não; com uma híbrida não própria para a reprodução não!
Portanto podemos crer que há que se desconfiar das boas intenções de quem lhe olha, lhe sorri cordialmente, e lhe chama – e achando que está fazendo um grande favor em lhe chamar – de mulata; morena linda.
Será que isso acontece em dias atuais? Dá uma olhada nos comentários do carnaval da Globo, e tira duas dúvidas. Teve gente que falou que no desfile de determinada escola de samba tínhamos “um navio negreiro ideal: um navio negreiro sem sofrimento”! Uma delícia! Por uma questão de ética não vamos falar o nome da pessoa nem que a vaca tussa – Fátima Bernardes. Além do que; o blog é novo; vamos evitar polêmicas.

Aí vem a pergunta que não quer calar?
E o mulato, o homem negro fruto do estupro do homem branco sobre a mulher negra, para que servia?
Ora ma-isso é muito simples: aí você pega a palavra “MULATO”, tira as leras “U” e “L”, que você terá “MATO”.
Depois é só colocar a palavra “CAPITÃO” na frente, pronto. Está feita a mágica somática. Capitão do mato era o que os mulatos eram.
Capitães do Mato era o que eram. Flagra-se no livro um mulato que fala mal de outro, chamando-o inclusive de “negro” para reduzi-lo mais ainda, como bem pontuamos aqui em nossa análise medíocre.
Ma-vamo fazer o seguinte?
Vamos parar por aqui?
É que o blog é novo. Devemos evitar...
Até a próxima postagem...
Assim sendo; até a próxima!
Meus morenos lindos.

Mas será que isso acontece aqui, ainda, em dias atuais?
Será que o Brasil é um país ainda racista?
Há ainda quem não queira admitir sua negritude?
Não sei, mas faça o teste você mesmo: pergunte ao Neymar.
Ou ao Ronaldo Fenômeno!
Aposto que eles, mesmo não sendo negros, são estritamente contra essa prática odiosa.
Rsrs...
E que se foda o mundo; não me chamo Raimundo!
Kkkkkkkkkk

Crônica, dia 25...


quinta-feira, 2 de março de 2017

Conto, de Kappa e tudo mais...


Senhoras. Senhores.

Belo dia um grande amigo meu cometeu um erro: em suas costumeiras compras de livros pela internet, ele atrapalhou-se e terminou por fazer uma compra dupla. Dessa forma, os três livros que ele comprou, geminaram-se. Sem ter muito que fazer, a solução encontrada foi presentear amigos, com a uma dedicatória que se iniciava, mais ou menos, assim: “Logo que vi esse livro lembrei somente de você meu irmão [...]”.

Só depois de nos encontrarmos, eu e os outros dois presenteados da vez é que percebemos que algo estava meio que errado. Vejam vocês. Que loucura não é? Não. Isso não tem nada de louco; nada mesmo. Comparado com o que virá a seguir, tudo nessa premissa será compreendido como fichinha. Os senhores não perdem por esperar...

O conto a ser analisado hoje será Kappa, primeiro, de onze presentes no livro Kappa e o Levante Imaginário, de Akutagawa Ryunosuke. O livro foi viabilizado pela editora Estação Liberdade, no ano de 2010. A tradução e o prefácio ficaram sob a responsabilidade de Shintaro Hayashi.

Sem mais, vamos ao rápido resumo do primeiro conto, Kappa. Posto na narrativa em primeira pessoa, o leitor poderá perceber, logo no primeiro período do primeiro parágrafo, a primeira grande idéia fora do comum do texto: o narrador personagem nos trará o relato do paciente de um manicômio.

Qualquer leitor minimamente prevenido perceberá o entrevero de idéias que está porvir. Pensemos: se narrar um episódio em primeira pessoa já não nos soa confiável – D. Casmurro tá bom para você?; imagina narrar uma narração? Problemático né? E quando essa narração é de um paciente de um manicômio, que mexe e remexe? É totalmente emaluquecente não é? Mas e aí? E então? Topa a loucura? Vamos viajar mesmo assim?
Sem mais...

Segundo a narração da narração os fatos desenrolaram-se em um verão, três anos passados. O narrador viajava por uma região do Japão. A missão era escalar o monte Hodaka. Acompanhado de sua mochila como qualquer viajante, nosso herói seguia como qualquer pessoa, Rio Azusa acima.

Durante sua viagem, porém, algo passou a estranhar-lhe: a visibilidade era quase zero, por conta da neblina muito forte. Insistiu em sua empreitada e terminou por se perder. Resolveu retornar, seguindo a margem do rio. Todavia, ao observar o relógio, assustou-se: uma e meia, e a neblina encontrava-se alta daquela maneira. Totalmente assustador. Foi quando olhou para o relógio pela segunda vez e tomou outro susto, infinitamente maior que o primeiro: é que o vidro de seu relógio revelava, acima e atrás de si, um Kappa; parado sobre uma pedra, a observá-lo. Depois de algumas investidas na captura da criatura, o sujeito erra em seu intento, escorrega, cai, e desmaia. De repente, acorda uma maca, cercado por alguns Kappas. Ele está “lá”.

Agora, que estamos em terras distintas, façamos as honras da casa, com uma breve apresentação. O que seria, afinal, um kappa? Kappa, nada mais é do que um youkai (demônio) aquático do folclore japonês, possuidor de um casco de tartaruga, é baixo, e tem uma concha com formato de pires na cabeça.
Podem ser benéficos; maléficos; ou simplesmente comuns, neutros em relação aos seres humanos como no caso do conto que se seguirá – na narrativa há Kappas que se consideram superiores aos humanos. Há, no Japão, formas de lidar; ou de se proteger dessa figura que, de tão popular ganhou até prato de sushi com seu nome, o kappa maki.

De volta à narrativa, também ao mundo dos Kappas podemos perceber que a relação se desenvolve de forma tranqüila entre o estranho na civilização. Com a licença de “Cidadão Sob Amparo Especial” o sujeito transita por diversas esferas sócias, descobrindo mil e uma coisas sobre o jeito kappa de ser. Na cultura kappa, as fêmeas caçam os machos o filho tem direito de escolher se nasce ou não. Os nomes, predominantemente, são composto por silaba única: Pep, Bag, Tchak, Mag, Toc, Rap...
A políti'Kappa, assim como a humana é hipócrita até as raízes dos fios de cabelo. Os Kappas fizeram guerra contra a nação das Lontras. A economia é predatória. A filosofia é interessante: palavras de um idiota é um livro de consagrado um filósofo Kappa, o Mag.
O que dizer da religião do mundo kappa? Temos, figurando por entre os apóstolos Strindberg, salvo pelo filósofo Swedenborg (lá as coisas são invertidas). Temos também ninguém menos que Nietzsche, o poeta de Zaratustra; Tolstói; Doppo Kunikkida, e Wagner.

Temos também o curioso caso do suicídio de um artista, que, depois de encontrar-se com uma médium, concede uma entrevista a circunstantes. Durante a entrevista é claro o interesse do artística em como anda sua fama pós-morte. Ele também fala como é o outro lado. Arthur Schopenhauer está por lá...

Passado tempo o hóspede revolve voltar. Encontra-se com um Kappa estranho. O Kappa que nasceu velho e está a caminho da morte por rejuvenesciment. Este kappa eremita é quem lhe dá a chave do caminho de volta, para o mundo dos homens, local onde o paciente chega, e, não "se sente mais em casa"; e afirma querer, não ir, mas sim voltar a sua terra natal, o kappa-mundi. Sim, creiam. O safadhênho considera-se um ser kappaense, veja só. Como voltar não é possível, pois ele encontra-se já como interno do manicômio, nosso herói busca seu pífio consolo nas visitas secretas dos seus amigos de outra dimensão, os Kappas que secretamente falam em seu ouvido.
O narrador da narração acaba o seu relato lamentando o fato de não mais lhe ser permitido visitar o homem-Kappa, no manicômio.
E assim encerra-se o conto abre-alas de um livro que promete. E muito!

Não precisamos dizer que a narrativa foi em tudo aprovada por nós em gênero número e grau. Por isso a recomendamos para os interessados em literatura fantástica; para os amantes da cultura japonesa; para quem admira textos experimentais, com narrativas fora do comum.
Se gostamos do que lemos? Ma-claro que Quax. Opa, respondemos em linguagem Kappa. Na verdade a resposta é: sim, gostamos muito da viagem insólita que a narrativa se propôs e nos propôs a fazer. Muito boa mesmo a grande passagem pelo mundo-Kappa...
E o processo criativo? Trazer a ideia da narração da narração de um doido! Querem mais literatura do que isso?
Valeu Ryunosuke!
Arigatou gouzaimasu!
Compramos a ideia viajamos fomos embora daqui.
Na verdade, ainda nem sabemos se voltamos[!!!].
Melhor: na verdade na verdade não bem nem sabemos se aqui já estivemos... Rsrs...
Tínhamos esquecido de dizer: há o desenvolvimento da linguagem Kappa também. Cuidado para não se transformar hein leitor... Run... Quem avisa amigo é...
Foi na frase “Quax, Bag, quo quel quam?” (pág. 29) que, confessamos, tivemos o nosso instante de mais alta reflexão, isso para não dizer transe cômico. Muito engraçado...
Então fica aqui o nosso mais que humilde comentário sobre o conto Kappa, contido no livro Kappa e o Levante imaginário, de Akutagawa Ryunosuke.
Super recomendado...
Boa leitura!

Ah, e por falar em loucura...
Saibam: o nome do autor, Ryunosuke, significa “filho dragão”. Isso por que ele nasceu no ano, mês, dia e hora do dragão. Este evento, que sucedeu vários outros episódios e condições incomuns, levou finamente a sua querida mãe, Fuku, a loucura, e ele foi adotado por um tio, por quem foi criado e recebeu o nome da família Akutagawa.
Futuramente, Ryunosuke também em sua curtíssima passagem pelo mundo ficaria louco antes de seu falecimento, aos, pasmem, 34 anos.
Trinta e quatro anos de idade apenas...
Experimenta dar uma sacada na produção do sujeito...
É uma coisa de louco...
Loucura não? Muita loucura não?
Sim, sim. Isso sim é; muita, muita loucura!

Perto disso, efetuar uma compra duplicada e presentear amigos não é nada.
Valeu Wiliam.
Acertou em cheio em um presente para mim, meu amigo.
Cem palavras de agradecimento para você.
Afinal quem me conhece sabe que...
I love japanese culture.
Nihongoo Daisuki Desu...
E você? Curtiu? NÃO?
Então se cuide!
Se Oriente...
Rsrsrs...

Até a próxima...
Atenciosamente;
  
Emerson.


Ah, já ia me esquecendo aqui: waka-waka pra você também! Rsrsrs...